Um dos trabalhos que desenvolvia como consultor em Desenvolvimento Humano, era o de preparar pessoas para processos seletivos, especialmente profissionais especializados em busca de cargos na média gerência.
Os passos deste trabalho envolvem revisão de currículo, mapeamento da história profissional, postura corporal, organização e verbalização de idéias, preparação para perguntas específicas, enfim, uma série de dicas, truques e “sugestões” valiosas para aqueles que vão enfrentar o processo.
O último passo deste trabalho, no entanto, parece paradoxal para algumas pessoas. Isto porque depois de “treiná-las” para determinado desempenho, na última sessão eu sempre digo: Faça o que fizer, seja natural!
__ Mas como? Diziam alguns. __ Todo este treinamento em postura, técnicas, voz, etc.. etc… e você vem me dizer para ser natural?

Pois é exatamente isto. A naturalidade é o contraponto que vai tornar todas as técnicas “legítimas”. Explico: É preciso sim, que tudo esteja muito bem planejado e quase “ensaiado”, mas ao mesmo tempo a pessoa tem que desenvolver certa desenvoltura e sentir-se naturalmente à vontade com o “script”, para não parecer um robô na frente do entrevistador. Mas ainda pior que isso, é desempenhar ali um papel e não poder sustentá-lo depois.
O que deve ser levado sempre em conta nestes momentos são “verdade e consistência”. A preparação para processos seletivos visa não só orientar o profissional para atuação específica na hora da entrevista, mas sim desenvolver nele habilidades que, espera-se, ele continue usando e desenvolvendo caso seja contratado.
Chamamos de “atores corporativos” aqueles sujeitos que ensaiam literalmente os passos do processo, até treinam muito bem e acabam contratados, mas depois não conseguem sustentar no dia a dia a imagem que passaram na dinâmica de grupo ou na entrevista. Aí geralmente o tombo é feio, e muito.
Por isso a sugestão que dou a quem está em busca de um novo emprego e vai se “preparar” para o processo, é que busque incorporar os novos conhecimentos, habilidade e atitudes a seu repertório comportamental de maneira sólida e perene, desenvolvendo sempre aquilo que “aprendeu” na preparação.
Isto vai permitir que sua atuação no cotidiano seja mais congruente com o que foi apresentado na entrevista, e vai com certeza diminuir as chances de seu superior (ou quem te contratou) dizer: É… Comprei gato por lebre!

Bruno Soalheiro Bruno Soalheiro é psicólogo e cursa o MBA em “Gestão de pessoas com ênfase em estratégias” pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

É também criador e responsável pelo site Wellness Club, portal de interação e entretenimento com foco em bem-estar, qualidade de vida e sustentabilidade. Além deste blog, escreve para veículos da mídia digital no Brasil e exterior.
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